Resultados: MINIFÔNICAS 2009 - 1ª Edição
terça-feira, 3 de março de 2009 - 19:32
MINIFÔNICAS 2009 - O tripé
O objetivo principal do evento é estimular no calouro o senso crítico sobre o papel da Universidade, e além disso: Promover a integração entre os novos calouros de vários cursos (inclusive além do Design) e das suas várias turmas; apresentar o estudante como agente promotor e transformador de conhecimentos, estimular a pró-atividade do estudante; promover uma conscientização social e política, e por fim, apresentar a Universidade como uma instituição à serviço da sociedade.
Foram convidados todos os calouros dos cursos de Design da UTFPR, e o formato do fórum é o mesmo do Megafônicas, com três mesas de discussão sobre os temas apresentados à seguir.
O tema: A Universidade
Há uma demanda durante esse período de transição vivenciado pelo estudante, que é a entrada nessa nova etapa caracterizada pela descoberta do mundo acadêmico, de esclarecimentos a respeito do que consiste, de fato, a Universidade e quais são as suas funções perante a sociedade. As 3 mesas de discussão irão abordar os três pilares que, teoricamente, sustentam a Universidade: Ensino, Pesquisa e Extensão.
Conceitos e Conclusões
Mesa de Ensino
Se torna muito difícil explicar ao calouro a necessidade de uma nova postura enquanto estudante de uma universidade quando a mesma apresenta postura de um verdadeiro colégio reformatório. Para isso, foi fundamental a participação de estudantes transferidos de outras instituições, ou que no mínimo tiveram vivência em outras academias. A troca de experiências foi muito enriquecedora e serviu como pontapé inicial para a primeira discussão, ainda inibida pela tensão de uma primeira semana de aula.
A melhor forma encontrada para que o estudante mais novo e recém formado de seu ensino médio pudesse e quisesse participar da discussão foi colocar o debate a partir de uma perspectiva que ele já conhece. Ao apresentar aos participantes a realidade empresarial e dinheirista dos colégios e cursos preparatórios dos quais eles mesmos haviam egressado, formentou-se a discussão do meio acadêmico enquanto formador de concorrentes no mercado de trabalho, e as consequencias dessa atitude mesquinha. A partir desse ponto, pode ser discutido as semelhanças com o ensino superior curitibano, e como isso afeta o movimento estudantil de um modo geral, assim como a qualidade dos cursos e do próprio design brasileiro. Foi de consenso geral a necessidade e os benefícios de se adotar uma postura mais coletivista e menos egoísta dentro do próprio desenvolvimento pessoal enquanto profissional, abrindo assim a discussão entre os membros sobre assuntos de pesquisa, extensão, e empreendedorismo, como grupos de pesquisa, desenvolvimento e a formação de empresas dentro do ambiente acadêmico.
A partir da realidade vivida dentro da UTFPR, de cursos de design que vivem uma constante rivalidade e inimizade, assim como a situação do design universitario de Curitiba, agitado pelas rivalidades entre os estudantes de instituições diferentes, mostrou-se a preocupação dada pelos calouros sobre a necessidade de acabar com as diferenças entre turmas e cursos de design das diversas instituições curitibanas. Foi destacado pela mediação o quanto o desenvolvimento do design em uma cidade (ou até mesmo país) pode ser benéfico a todos, e o quão válido é promover a união dos estudantes de design de toda a Curitiba. A participação de muitos dos estudantes na segunda edição do TrotUT (Trote Solidário de design da UTFPR) serviu como prova genuína do poder dos estudantes enquanto força unificada: Unindo calouros dos 2 cursos de design em existência na UTFPR, além de veteranos preocupados com atividades sociais e de integração de novos alunos, foi possível realizar um grande trabalho que necessitaria de uma quantidade muito grande de mão de obra, causando assim uma grande mudança benéfica dentro da comunidade e instaurando nos estudantes o sentimento de responsabilidade enquanto graduando e futuro profissional.
Basicamente, a discussão se desenvolveu a partir de assuntos de conhecimento dos participantes, adaptados através de comparativos e analogias por parte daqueles com maior experiência. Foi possível mostrar ao estudante a postura ideal que ele deve adotar enquanto universitário consciente, e mostrou-se claramente o interesse por parte dos calouros de dar continuidade ao trabalho que os acolheu enquanto recém chegados à instituição. Mais do que apenas teorizar, os estudantes puderam depor sobre as suas experiências de calouro em sua primeira semana de aula, e servir como provas vivas dos benefícios de adotar uma postura de união e integração entre as pessoas.
Mesa de PesquisaA Pesquisa na Universidade ainda é encarada não como método científico, mas como algo básico. Ao visualizar o universo da UTFPR, foi visto como pode ser relevante para o aluno ter a matéria Metodologia de Projeto de Pesquisa logo no primeiro semestre e novamente no sexto; dessa forma, o acadêmico pode se familiarizar com as normas (que são cobradas não só nas matérias, mas também para concursos, artigos do P&D etc) e até mesmo desenvolver uma pesquisa mais cedo, ingressando no processo da Bolsa de Pesquisa Científica. Todavia, ainda surge a iminência da discussão de que a Pesquisa é pouco explorada no Brasil, carecendo de incentivo e investimento nos alunos: esse “pouco caso” do governo faz com que os pesquisadores do Brasil desenvolvam suas respectivas pesquisas no exterior, de forma que o dinheiro investido não retorna, e o reconhecimento fica, muitas vezes, dado à países desenvolvidos.
A pesquisa comprime ou expande o universitário? Foi de consenso geral que a pesquisa é um “fortalecedor” de qualquer projeto: ela padroniza o método, mas não pensamento e opinião. Ao familiarizar-se com esse processo logo no primeiro semestre de faculdade, é possível que o aluno se depare com as diferentes áreas de atuação e de possibilidades que o curso oferece. Isso não significa que ele seguirá sua primeira opção até o fim, mas sim que ele estará aberto e propício a fazer escolhas.
O Design em geral é um curso que foi banalizado, pela presença de micreiros (devido à facilidade de acesso à softwares de edição) e precisa romper a barreira de que não passa de estética. Aí entra a pesquisa que, não só aumentando a riqueza intelectual, contribui para o crescimento do status e do respeito do curso: a pesquisa ajudará o reconhecimento a aparecer, mesmo que demore.
Ela funciona também como algo que é importante não só para o Estudante, mas também para o Profissional. Para o primeiro, ela representa a descoberta e adaptação. Para o segundo, é um motivo de respeito e colaboração para a área à qual ela se aplica.
Ainda foi discutido o fato de que a Pesquisa acaba sendo tão importante quanto um Estágio, pois ambos possuem o mesmo peso no quesito “Experiência”. A união seria o ideal, porém o ingresso somente na área de atuação profissional ou de pesquisa pode ser um diferencial. O especialista pode não ser um refencial sozinho, mas é excelente para o todo: com vários especialistas em diferentes assuntos, se chega ao topo de determinado tema.
A conclusão das rodadas deu-se pela explanação de que Pesquisa, Extensão e Ensino são assuntos interligados, de tal forma que se não receberem a mesma atenção acabam gerando um Universitário que deixa a faculdade de maneira deficiente e imatura para a vida fora dela.
“A pesquisa nas Universidades não é um mal necessário, não é um bem desnecessário; ela é o germe da evolução, ela é um bem impreterível e profundamente necessário... A pesquisa nem sempre melhora a didática dos professores (qualidade esta que de algum modo pertence à categoria dos talentos naturais) mas sempre melhora o conteúdo desta didática, a sua substância, a essência de sua mensagem. A pesquisa coloca o saber de quem ensina num contexto mais amplo, mais rico, define seu contorno, unifica, acrescenta nuanças, lhe dá versatilidade, vida, alegria...” (Tsallis, 1985:570)
Mesa de Extensão
Numa conversa inicial foi evidente o desconhecimento geral do significado do termo Extensão, os que já conheciam informalmente a palavra também não sabiam no que consiste a sua definição. Foi necessária uma explicação, por parte dos mediadores sobre a distinção existente entre o que significa “extensão” e “curso de extensão universitária”. Cursos de extensão universitária têm por objetivo complementar conhecimentos acadêmicos em áreas específicas e apresentam uma carga horária reduzida, enquanto a Extensão, de fato, consiste em um dever constitucional da Universidade, que permite uma interação com os diversos setores da sociedade. São atividades que visam a democratização do conhecimento, bem como a concretização das soluções encontradas para a problematização que a Pesquisa revela.
É principalmente a aplicação social do conhecimento adquirido, não deve ser vista como uma atividade de treinamento, nem como algo que será realizado mediante honorários e muito menos como uma ação meramente assistencialista.
As Universidades Públicas foram o eixo da discussão, pois é a realidade em que todos os presentes estão inseridos. É de conhecimento geral que essas instituições são voltadas às necessidades e ao desenvolvimento do país. Elas constituem um espaço ideal para a produção e associação de conhecimento. As atividades de extensão devem, portanto, superar a sua interpretação simplista e tradicional de “disseminação de conhecimentos” e apontar agora para a construção de uma concepção de universidade, em que a relação estabelecida com a população passe a ser encarada como fundamental à vida acadêmica, a fim de possibilitar uma troca de valores entre os meios sociedade/universidade.
Mesmo apresentando a característica de ser uma ação intervencionista e construtiva perante a realidade, a extensão não tem como objetivo substituir as funções que são de responsabilidade do Estado, mas sim produzir conhecimento - seja ele científico ou tecnológico, artístico ou filosófico - possiblitando o seu acesso à população. É a partir daí que o caráter público da Universidade se confirma.Foi uma discussão que despertou bastante interesse, tanto por terem sido discutidos assuntos relacionados à sociedade, como também por ter ocorrido durante a semana a realização do TROTUT, trote solidário realizado pelo CADUT, cujo objetivo é que a inserção do calouro na universidade se dê de forma benéfica, priorizando uma integração sadia, a partir de atividades que possam trazer resultados e proximidade dos alunos para com a sociedade.
Foi discutido muito do processo que envolve proporcionar a extensão dentro da universidade, reunindo questionamentos: "Quais barreiras são impostas para essa extensão?" São elas sociais, como idéias relacionadas a resguardo de conhecimento, controle social? ou também: "É possível a independência política nesses projetos?" ou seja, não é possível sermos imparciais, politicamente, em ações extra-universitárias?
Foi exposto pelos participantes, por meio da abertura da discussão pelos mediadores, a dificuldade em se conhecer a extensão universitária, foram discutidas algumas dificuldades para isso como falta de divulgação; simples falta de conhecimento ou incentivo por meio dos órgãos competentes dentro da universidade. Quanto ao incentivo; não necessariamente o financeiro, mas principalmente pela universidade gerar os meios ou esclarecer os processos para a extensão.
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