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Considerações sobre o MEGAFÔNICAS, 2a Ed. 2008

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008 - 17:22

"Designer, qual é a sua ?" - Realizado na UTFPR, dia 7 de novembro.


Mesa Amarela – MERCADO

Mediador: Silvestre; Redator/a: Loara Feix

1ª RODADA
Presentes: Enzo (UFPR), Pedro, Henrique, Raphael, Lucas Pedrinho.
2ª RODADA
Presentes: Rodrigo, Lucas Baldani, Rodrigo Janz, Daniel, Diego, Ricardo (UFPR).
3ª RODADA
Presentes: Guilherme, Lucas Almeida e Marcelo.
* Conceitos e conclusões:

Não existe ainda uma noção uniforme do que é o Design por parte das pessoas que não estão vinculadas à área, porém elas sabem que é melhor ter do que não ter. O consumidor está descobrindo o Design só agora porque há pouco tempo ele se tornou estratégia de diferenciação no mercado, a partir disso, o cliente passa a pagar por um serviço que tem por finalidade a elaboração de uma identidade para a empresa. A função do designer é dar forma à idéia do cliente.

Para que o o profissional do design exerça a sua função com eficácia, ele deve ter uma preparação teórica e prática. Aquela como base para o que ele deseja desenvolver, e estacomo ferramenta necessária à execução (como por exemplo a utilização de softwares). A Universidade deve estimular a pesquisa e o desenvolvimento teórico-prático dos estudantes.

O avanço técnico-científico e a globalização da informação exigem do designer a superação do uso de referências, pois estas geram um decréscimo na qualidade do que está para ser produzido e traz como consequência a fabricação de versões, limitando a proposição do novo.

É comum ouvirmos que não existe mercado para o designer, porém chegou-se à conclusão de que o mercado cresce concomitantemente com o profissional. O que ocorre, pelo menos em Curitiba, é que o designer espera o cliente e o cliente espera o designer aparecer, gerando uma estagnação. É competência do profissional fazer o seu mercado, buscar empresas, mostrar o que sabe fazer e estabelecer contatos que podem ser úteis posteriormente.

No embate “agência experiente” versus “próprio negócio” concluiu-se que a primeira fornece, no início do exercício da profissão, experiências, habilidade e contatos que só têm a acrescentar na sua formação, porém não são o melhor caminho para a obtenção de reconhecimento profissional. Em grandes agências a relação designer-cliente é prejudicada, uma vez que a comunicação do briefing (geralmente responsabilidade de um funcionário superior) acaba virando um “telefone sem fio” que distorce a informação no meio do caminho, sem esquecer que há também o encarecimento do serviço e burocracia envolvidos. Um briefing bem documentado reduz riscos de fuga da idéia inicial. Aí é que entra a vantagem de se trabalhar em empresas pequenas ou estabelecer seu próprio negócio. A eficiência no briefing e a possibilidade de atender e entender o cliente diretamente, estabelecendo um elo em que as duas partes cooperam para chegar à um resultado profícuo para ambos, traz resultados vantajosos ao designer que passa a oferecer não apenas um serviço, mas uma relação de parceria com o contratante.

Além das habilidades já esperadas de um designer, como criatividade, simplificação e otimização de processos de produção, pesquisa por novos materiais, aumento da qualidade e agregação de valor aos bens; quando posicionado na função de administrador de seu próprio negócio, ele pode estimular a criatividade da equipe, fornecer soluções para problemas específicos, estreitar relações com fornecedores e clientes, e reduzir o tempo e o custo do desenvolvimento de projetos.

Insistindo no âmbito do relacionamento entre o designer e o cliente, foi discutida também a importância de saber lidar com a crítica e interpretá-la como uma via direcionada à evolução do trabalho exercido.

É necessário ser coerente e saber se posicionar perante o cliente. O que esperar do mercado?

Alguns alunos expressaram o desejo de que a experiência mercadológica desmistifique o ensino que a Universidade oferece, e consolide a capacidade profissional a partir do empirismo e do acúmulo de cultura para que ocorra o desenvolvimento da versatilidade do Designer.


Mesa Azul - EDUCAÇÃO
Mediador: Taís; Redator: Lucas Queirós

1ª RODADA
Marcelo, Luis, Ellen, Diego, Lucas Baldani, Rodrigo, Rafael
A maior parte dos participantes, que estuda na UTFPR, diz que se interessou pela dupla formação do curso. Ligya Fascioli – Menos de 50% das disciplinas de cursos com mesma denominação estão presentes em duas faculdades diferentes.

Cada faculdade tem uma direção de formação. E porquê? Existe algum tipo de direção pela
região?

Em Maringá, há mais moda, provavelmente por ser um pólo têxtil, por exemplo. Um currículo de uma determinada universidade é influenciado pela sociedade em que está contido?
Generalista no começo, e especialista no final, é bom?
- fica difícil na parte da formação,
Há diferenças na idéia de generalistas entre universidades?
Um pensamento diferente quando ao curriculo, que não é igual entre universidades que tem a mesma habilitação

Em Maringá, quem fazia gráfico não conseguia empregos, já que moda é o foco da cidade.
Você vai atrás de um estágio, de um trabalho, ou vai ficar na frente do quadro, esperando uma oportunidade? Onde aplicar o se conhecimento fora da universidade?

Há empresas que se formam em eventos de design, alguém que busca conhecimento, que busca oportunidades, é um candidato melhor para o mercado.

O designer tem que ter conhecimentos diferentes, então a grade realmente poda o design?
Não deixe a universidade atrapalhar seus estudos.
A sabedoria é o senso de saber onde aplicar esses e aqueles conhecimentos.
Senso de mercado, de relacionamento, de participação é preciso ao designer.
Os cursos de design não ensinam como usar o design, é complicado fazê-lo.
Uma pessoa que sabe como usar o conhecimento que adquire (na faculdade ou não, saberá se virar bem em qualquer profissão.
A universidade nao é a única culpada da postura “incorreta” do aluno.
A escola não é a responsável por toda a formação da pessoa, desde o ensino infantil.
Os pais, e depois o estudantes, são os responsáveis pela própria formação também.
Quem não veio para evento é o tipo de pessoa que geralmente precisa mudar a própria postura, e tentar arrumar a própria universidade, ou pelo menos tentar.
- Serve para todos:
A coisa mais importante para o Designer não é o portfólio
É uma postura passiva de quem precisa dos outros.
Não tem estágio, não tem cliente, a pessoa que realmente não precisa de portfolio cria os próprios meios de trebalhar.
O designer gráfico perde para publicitários porquê?
Porque falta comunicação. O designer gráfico precisa saber comunicar-se. Precisa saber COMO comunicar ao resto de uma equipe, colegas, chefe, etc, como isso ou aquilo funciona.
A comunicação é o ponto de partida para a solução de um problema.
Não se vende o desenho que você aprendeu na universidade. Se vende a sua idéia. O desenho é só uma representação. A UTFPR começa a cobrar do aluno que a idéia dele funciona assim: “Porquê? Qual o fundamento da sua idéia?”

A coisa surge da coisa.

* Dica de livro:
O processo da comunicação – David Belo
Construção e quebra de conceitos. Construção de idéias por meio de amplitude da mente. Tem que abrir a mente, começar a construir um modelo maior a partir de um momento de quebra de conceitos.
A comunicação tem que auxiliar o designer a passar sua idéia, textualmente e verbalmente.
Livro de referência, ou livro teórico? Condicionado pela cópia? Um conteúdo é passado de que maneira? Como alguém vai se destacar?

“Obrigado por fumar”, psicologia reversa.
Sempre ache um não, isso gera novas ideías.
Seja o advogado do diabo.
A universidade não vai ter respostas para as suas perguntas. Muito pelo contrário, e isso é bom, pois se você tiver atitude para buscar essas respostas isso vai fazer de você um

designer melhor.

2ª RODADA
A região infuencia a grade.
Quem monta a grade tem toda a autoridade para tal.
Não há legislação para cursos. O que vai ter? Isso é necessário ou não?
Há tradição em cursos. Isso afeta o desenvolvimento e a evolução desses. Cobra-se uma postura de quem está na universidade.
A educação do Brasil é passiva, não existe um incentivo que levo o aluno a pensar além da sala de aula.
Não é algo necessário para a sociedade. Então porquê?
O professor não é e não deve ser a sua única fonte de conhecimento.
“Como eu faço para ganhar nota?”
Base teórica é necessária, e não só com o professor.
Tem que aprender a pensar antes de aprender o design.
Quem não aprende isso na universidade sai da universidade com um pensamento fechado, e comum. E o mercado não espera isso, ele espera o profissional que busca conhecimento, que busca o outro.
Você cresce muito mais com a crítica do que com o elogio.
Você tem aquele amiguinho que você faz trabalho sempre? Isso é bom ou ruim? Um amigo que critica é um amigo que ajuda a desenvolver.
A interação entre veteranos e calouros é importante para acelerar o ensino, o que incentiva o aluno a buscar novas maneiras de estudar e tudo mais.
Trancar matérias para aproveitar outras melhor.
Curiosidade para todos. Em todos os cohecimentos. Não estudar só design. Estudar outras coisas.
Se aprende muito mais fora da sala do que dentro.
Grupos de estudo fazem a integração entre profissionais, estudantes e professores. Dão a sensação de que há algo a ser feito.
“Depois eu faço”
Tem que encher o saco pra continuar um grupo de estudos, um grupo de trabalho.
Tem que ter um mauzinho que puxa o pessoal pras reuniões, etc.
Tem que cobrar pró-atividade das pessoas.
Tem que fazer direito.
Tem que fazer.
TEM.
Para de reclamar e vai fazer maldito!
“Não deixe a universidade atrapalhar os seus estudos.”
[2x]
Ensino, pesquisa e extensão. Designer pro mundo e não pra universidade.
Falta comunicação.
Troca de experiências nos eventos.
Há muito tempo o ensino de palestra não é o melhor.
Aluno atrás de aluno, com professor na frente não funciona mais.
Idade não barra conhecimento.

3ª RODADA
Discussão de como foram as outras rodadas.
Que universidade eu posso fazer?
Antes da universidade você tem uma idéia do que é design. Depois ela muda totalmente.
A tendência de quem faz universidade particular é se acomodar?
Na universidade pública não.
O que reamente lembramos do que se aprende na sala de aula?
Você gosta do que você viu, mas esquece.
Falta discussão sobre o assunto, um debate, que faz com que as pessoas aprendam o assunto em questão.
Não há tempo de aplicar tudo o que você aprendeu.
Prática, discussão, ou vários meios de ver/ouvir/sentir o que se aprende?
“Te passam” tudo o que você tem que saber.
Falta um tempo maior, “saber ler” o que se está aprendendo.
Se você tem 3 livros, mas não sabe ler, porque ficar carregando-os para cima e para baixo?
Grades misturadas, disciplinas precoces. Quando o aluno está pronto para aprender? Ele estará algum dia pronto para aprender?
Como você vai estar pronto para absorver alguma coisa?
No quarto período você se sente melhor porque você já passou pelos períodos anteriores. Você já absorveu conhecimento suficiente para entender tudo oque você está aprendendo.

Com o tempo você ganha intuição para desenvolver melhor projetos e outras coisas, mas é sempre bom relembrar o que você aprendeu, você sempre vai ter algum detalhe que vai te ajudar a fazer algum trabalho.

Vício saudável em conhecimento. Você sempre vai querer mais.
O curioso é sempre generalista por natureza.
Especializar-se também é uma maneira de ser curioso.
Uma universidade é estar em contato com outros.
Sempre que realizar uma leitura, você aprende algo. Se você conversa com alguém que leu a mesma coisa que você, é melhor ainda, assim você sabe que as idéias são diferentes e tenta aprimorar as suas.
Você precisa ter sempre perguntas, não respostas.
“Sempre que eu resolver esse exercício vai ser assim?”
O problema pode, FACILMENTE, se transformar em solução.
Enxergar o problema, é que é difícil.
Errar você pode na universidade.
O universitário tem como facilitador o professor, que acompanha, e tem os caminhos para te fazer “SER” curioso.
Um perfil de exlorador de curiosidade não vai pra frente.
Aprender dói. Não é fácil negar o que você já aprendeu para passar para frente.


Mesa verde – SOCIEDADE - Existe design social?!

Mediador: Ivan; Redator: Mário


A mesa intitulada “Qual design você vive”, mediada pelo Professor Ivan, da UEL, trouxe a seguinte temática: “Existe Design Social?”. Os participantes se mostraram bem interessados na discussão sobre a sociedade, tendo como rumo da questão muitas vezes a função ética e social do design, focando-se na individualidade do designer como agente fundamental do processo de formação de opinião.

O Design se relaciona com a vida das pessoas na medida em que se liga direta e indiretamente com os meios materiais. Porém para compreendê-lo é necessário transpor a discussão para o plano das idéias, na teoria, transpondo o esteriótipo onde o designer é apenas um mero “operador de softwares”.

A indefinição dos conceitos de sociedade e design gera uma impossibilidade de articulação idéias, fazendo-se necessário frequentemente para compreendê-los relacionar com elementos tangíveis.

Foi colocado a posição da Universidade frente a necessidade de aliar prática e teoria, sem que o corpo de conhecimento não fuja dos requisitos mercadológicos e científicos. Ou seja, qual é o verdadeiro conhecimento? E o que quer o grande monstro chamado mercado? A prática versus discurso científico.

Outra questão que também foi bastante discutida é se o designer é um manipulador de signos ou se apenas sintetiza e expressa a opinião da sociedade.Aliar o lado social, como em todas as outras profissões, depende de iniciativas pessoais e voluntárias, criando artefatos que venham a influenciar a vida das pessoas. Mas será que existe o bom e o mau design?

Entre a individualidade e sociedade, situando a posição das novas tribos urbanas, é colocada a postura do design com um papel de comunicador social. E para entender a influência e a prática do design na sociedade é preciso entender o funcionamento da estrutura de convivência humana: a ética, que se fundamente em três pilares, o social, o ambiental e o cultural.

Bom, essa mesa de discussão não buscou respostas, e sim mais perguntas para se refletir o tema. Mas sem dúvida a postura do designer frente à sociedade é o reflexo da formação crítica de um pensamento, e na Universidade nós temos a obrigação de produção de conhecimento.

“Quando o artista não consegue se comunicar com o seu publico, um dos dois é idiota”.

(2) Manifestações